Foto nº 8
Guiné > Região de Tombali > Ilha do Como > Cachil > CCAÇ 557 (1963/65) > 1964 > São "fotos falantes" , como diria o nosso saudoso Torcato Mendonça, que também ele viveu num "bu...rako", chamado Mansambo (1968/69)... São fotos do álbum do José Colaço, que era sold trms, e que viveu neste "bu...rako" chamado Cachil.
São alguns aspetos da construção do aquartelamento (?) de Cachil, o "Forte Apache" (por ser feito com troncos de palmeira, material abundante na ilha)...
Tal aconteceu na sequência da celebre Op Tridente (de 14 de Janeiro a 24 de Março de 1964)... que a rapaziada da CCAÇ 557 ainda apanhou mas não figura na ficha técnica do filme...por lamentável lapso da produção...
(As fotos acima foram melhoradas digitalmente, com recurso à IA, que ainda não existia em1964; e, se existisse, já não valia a pena tirar "slides" que ficavam por um dinheirão, tinham de ser revelados na Alemanha ou na Suécia .)
Fotos (e legenda): © José Colaço (2011). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: LG + IA (Gemini Google) ]
1. Inadmissível!... Desde 30 de setembro de 2022 que não falamos dos "bu...rakos em que vivemos" (*)... E foram muitos...
Esta nossa série está muito pobrezinha, camaradas!.. Quem lá viveu e sobreviveu, não escreve... Quem por lá passou, não tem gratas lembranças, quem nunca lá penou, encolhe os ombros... Com o mal dos outros posso eu bem!... Ou como dizia o cangalheiro da minha terra, "eu não quero que ninguém morra, só espero que a minha vidinha corra!"...
A Guiné era um imenso bairro de lata Como Lisboa e o Porto nessa época...Não era só a Ponta do Inglês, Mampatá, Saré Banda, Banjara, Mato Cão, Ponte Caium, Camabajá, etc.. Havia muitos mais, em 220 e tal aquartelamentos e destacamentos das NT no CTIG... (inventário feito pelo dono daquilo tudo, em 24 de abril de 1974, o general Bettencourt Rodrigues).
Que me lembre, faltam muitos mais "bu...rakos" (alguns eram mesmo "bu...rak...inhos"): Ponte Caium, Copá, Ponte do Rio Udunduma, Ponte dos Fulas, Missão do Sono (em Bambadincazinho), Missirá, Enxalé, Porto Gole, Gandembel, Balana, Guileje, Gadamael, Beli, Madina do Boé, Cheche, Sangonhá, Cameconde, Cacoca, Cumbijã, Cadique, Cafal Balanta, Caboxanque, Jemberém, Saré Ganá, Mansambo, Afiá, Candamã, Madina Xaquili... sem falar das dezenas e dezenas de destacamentos de milícias, que às vezes nos tocava ir reforçar (Bissá, Dembataco, Taibatá, Amedalai, Contabane, cito de cor...)
E o Cachil, camaradas !... Não fora o Zé Colaço, e já ninguém se lembrava mais do Cachil...E eu que lhe tinha prometido, ainda no tempo da pandemia, que não me ia esquecer do Cachil!...Na ilha paradisíaca do Como!
Imperdoável, Zé!... Mas ainda cá estamos para poder cumprir a promessa. E quem não cumpre as promessas, vai para o inferno!
Em boa verdade, o Cachil sempre foi um "bu...rako" até o brigadeiro Spínola, dono do "resort", ter mandado despejar todos os inquilinos, logo em julho de 1968 ...
De facto, já era um "bu...rako" no tempo do Zé Colaço , continuou a sê-lo no tempo do João Sacoto (**), e por aí fora... até ao tempo do Manuel Cibrão Guimarães, o último inquilino. (***)
Em resumo, aquilo não tinha licença de habitabilidade. Não tinha água, eletricidade, saneamento básico... Enfim, os minimos confortos da civilização... cristã e ocidental. Nem condições de segurança: imaginem, o "turista" a dormir e as cobras a entrarem e a saírem por aqueles "bu...rakos"...
Guiné > Região de Tombali > Cachil > CCAÇ 557 (Cachil, Bissau e Bafatá, 1963/65) > 1964 Abrigo "Cova do Comando"... Alguém chamou a esta subunidade, que também participou na Op Tridente (jan/mar 1964), "a esquálida e esgrouviada Companhia de Caçadores 557" (sic). As barbas com cerca de 90 dias e os cabelos já tinham levado um corte para melhor se aguentar o calor. Aquela "divisória" entre o 1.º Cabo Dias e dr. Rogério é uma cobra que durante a noite se lembrou de nos assaltar o abrigo e que só de manhã com a luz do dia foi detectada a um canto da cova. Foi condenada à morte pela catana de um milícia.
Foto (e legenda): © José Colaço (2015). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné + IA (Gemini / Google)]
2. Comentário do José Botelho Colaço (*)
Servir da água dos poços em zona controlada pelo inimigo, nem lembra ao Diabo!... Mas lembrava aos nossos comandantes militares instalados no ar condicionado de Bissau...
Vem isto a propósito dum poço situado na mata do Cachil na fronteira com a mata do Cassacá, não sei como é que os comandantes instalados no ar condicionado de Bissau souberam da existência do referido poço. Talvez por cartas cartográficas existentes ou qualquer outra informação, o que sei é que foi recebido uma mensagem para a companhia ir fazer uma colheita de água do dito poço para ser analizada e passar a ser utilizada uma vez que no Cachil não havia água potável.
Esta tinha que vir de Catió na lancha LD4 que semanalmente se deslocava ao Cachil com reabastecimento de água e géneros alimentícios e material de defesa, porque no Cachil, tirando o capim, palmeiras e o tarrafo, nada mais sobrevivia além do imbondeiro de grande porte.
Ordens são ordens e são para cumprir. Certo dia dois pelotõoes da companhia batem a mata do Cachil e atingem o respetivo poço, recolhem a amostra da água para ser analizada em Bissau.
No Hospital Militar 241 em Bissau quem é que foi escalado para fazer a análise ? O Dr. Rogério Leitão, médico da CCAÇ 557. Por falta de médicos no HM 241 tinha sido chamado a Bissau mas este médico era o médico da CCAÇ 557 que tinha desembarcado com o pessoal na tomada do Cachil no dia 23/01/1964.
Como o nosso médico conhecia muito bem a zona e sabendo os perigos que a companhia corria ao tentar deslocar-se ao referido poço "para ir ao do poço", fez o seguinte relatório da análise da água: "Não potável, imprópria para consumo".
Isto é um resumo muito resumido mas é uma pequena amostra como os comandantes militares do ar condicionado de Bissau tratavam os assuntos do pessoal do mato. Parece mentira mas é a pura da verdade.
sábado, 1 de outubro de 2022 às 00:11:00 WEST (Revisão / fixação de texto, negritos, título: LG)
3. Comentário do editor LG:
Zé, comentários para quê ?! Tu ainda apanhaste o brigadeiro Louro, que nunca deve ter ido ao Cachil beber um simples copo de água...de Catió.
E sobretudo nunca pôs em prática as normas da "acção psicossocial dirigida às NT"... já com data de setembro de 1963 (3a. Rep / QG / CTIG) e aprovadas por ele.
Vocês, coitados, tiveram um galo do caraças, a guerra dita subversiva estava a começar e a nossa "intelligentsia" de Bissau ainda não sabia como lidar com ela... (E muito menos as mentes brilhantes" de Lisboa: sim, como se ganha uma guerra subversiva, pergunta alfito o com-chefe ?!)...
Se fossem os americanos, que é um povo prático e que adora comprar e vender guerras e armas, tinham mandado à frente a engenharia militar construir de raíz um hotel de 5 estrelas, antes de vos lançar contra o IN armados de "tridentes" e "motoserras" ...
Zé, de facto, era preciso ser doido para marcar férias em "resorts" turísticos como esses...Qual foi a "agência de viagens" que vos enganou ?
Bem, vocês têm um grande alibi (quer dizer, desculpa) perante a História com H grande: no vosso tempo tempo ainda a IA estava para nascer... Nem muito menos havia internet, telemóveis, GPS, mapas da Google...
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Notas do editor LG:
(**) Vd. poste 11 de julho de 2019 > Guiné 61/74 - P19967: Álbum fotográfico de João Sacôto, ex-alf mil, CCAÇ 617 / BCAÇ 619 (Catió, Ilha do Como, Cachil, 1964/66) e cmdt da TAP, reformado - Parte IX: O 'bu...rako' do Cachil (set 1965 / jan 1966)
(***) Vd. poste de 26 de janeiro de 2018 > Guiné 61/74 - P18257: Memória dos lugares (372): Cachil, na altura da extinção do aquartelamento, em 1 de julho de 1968 (Manuel Cibrão Guimarães, ex-fur mil, CCAÇ 1620, Bissau, Cameconde, Cacine, Sangonhá, Cacoca, Cachil e Bolama, 1966/68)